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"CAATINGA PODERÁ SER ENREQUECIDA COM UMBUZEIROS"


Nos sertões do Nordeste praticamente não existem plantas novas de umbuzeiro na caatinga. As adultas, em densidades que variam de 3 a 9 plantas por hectare, são encontradas em quantidades cada vez menores. Na Embrapa Semiárido, Petrolina, ações de pesquisa e de desenvolvimento buscam reverter o declínio da população de plantas dessa espécie na vegetação nativa.

Uma delas é o projeto “Enriquecimento da caatinga com umbuzeiro gigante”, financiado com recursos do Programa de Fortalecimento e Crescimento da Embrapa (PAC Embrapa), e que prevê a implantação de 5 mil mudas de umbuzeiro em propriedades de agricultores familiares de municípios da Bahia (Juazeiro, Curaçá, Uauá e Canudos) e de Pernambuco (Petrolina, Afrânio, Dormentes, Ouricuri e Lagoa Grande). Atualmente, 70% das mudas já foram plantadas.

O engenheiro agrônomo Francisco Pinheiro de Araújo, da Embrapa Semiárido, explica que, nas áreas de execução do projeto, a densidade de pés de umbu chegará a 50 plantas por hectare, de clones enxertados e selecionados para fruto com peso (80-100 g) quatro vezes maior que o padrão coletado nas plantas de ocorrência espontânea na caatinga (18-20 g).

De acordo com Pinheiro, as mudas são cultivadas em trilhas abertas no meio da vegetação nativa. A área precisa estar protegida a fim de impedir a circulação de bichos como os caprinos e os ovinos. O sabor das folhas e galhos dos pés ainda tenros de umbuzeiros atrai o apetite desses animais que os consome com um apetite devorador ainda nos estágios iniciais de crescimento e impede que a planta cresça e se desenvolva.

Fruticultura de sequeiro – Segundo o técnico da Embrapa, a escolha dessa espécie para reflorestar a caatinga tem o nítido interesse de preservar uma planta que o escritor Euclides da Cunha considerava a “árvore sagrada do sertão”. As ações do projeto coordenado por Francisco Pinheiro avaliam a melhor forma de implantar as mudas e de estimular nos agricultores e comunidades o cultivo como forma de reverter a devastação dessa fruteira nativa em muitos locais do sertão.

Os benefícios para os agricultores e suas comunidades, porém, não são apenas ambientais. Ao submeter o projeto para o edital de Transferência de Tecnologia do PAC Embrapa, Pinheiro tem em mente preparar os agricultores familiares para os novos negócios que começam a se organizar em torno da cultura do umbuzeiro.

Poupança verde – As mudas distribuídas pelo projeto “Enriquecimento da caatinga com umbuzeiro gigante” não irão produzir imediatamente. Em geral, na maneira como ocorrem espontaneamente na natureza, o pé de umbu leva de 15 a 20 anos para dar início à produção de frutos.

Em testes experimentais conduzidos na Embrapa Semiárido para avaliar o cultivo da espécie em bases comerciais a partir de mudas enxertadas, com a área desmatada, os pés começam a produzir frutos a partir do quinto ano de plantio.

Na proposta financiada pelo Programa, Pinheiro, de comum acordo com agricultores e ongs que participam do projeto, está pondo em execução uma solução intermediária: o plantio de mudas enxertadas no meio da vegetação nativa, em pequenas trilhas que simulam as veredas feitas pelos animais ao percorrerem a caatinga para se alimentar dos frutos.

Para o técnico da Embrapa, reflorestar a caatinga com umbuzeiro é como se o agricultor investisse numa espécie de poupança verde. Um pé de umbuzeiro produz, em média, de 80 kg a 300 kg de frutos por safra. No hectare instalado pelo projeto, com 50 plantas, o agricultor poderá, no mínimo, colher cerca de 4 toneladas. Uma quantidade dessa vendida hoje, mesmo in natura, gera uma renda considerável para os agricultores familiares.

A perspectiva, porém, é de uma renda ainda maior. O mercado para o fruto do umbu está crescendo e ficando diversificado. No sertão da Bahia, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc) articula uma rede de pequenas fábricas de processamento de frutos de umbu e já exporta doce cremoso e geleia de umbu, dentre outros produtos, para a França, Áustria e Itália.

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